Novo álbum · já disponível
Samba de
Mar Aberto
As Ganhadeiras de Itapuã
Dez faixas gravadas em Salvador, entre o mar de Itapuã e a memória de um povo. Produção musical de Alê Siqueira, direção musical e arranjos de Amadeu Alves.
Em breve em todas as plataformas
O álbum
“O meu samba é de mar aberto, é ciranda, é grão de areia, é fruta que dá no tempo certo, é a viola que ponteia.” Amadeu Alves e Edvaldo Borges
O Samba de Mar Aberto é o sotaque, o jeito, a identidade da música de beira de praia dessa região — ligada às demais matrizes de samba da Bahia, como o samba do recôncavo, a chula e o samba do sertão, mas com marca registrada agora nessa denominação, que inclui no nosso balaio sonoro outros toques de terreiro, de blocos afros, de ciranda, maracatu, jongo e frevo, que fazem parte da musicalidade baiana e brasileira.
No novo álbum das Ganhadeiras de Itapuã, que traz essa denominação no título, podemos ver a aplicação desse conceito em cada música — através do pulso, dos toques, das harmonias, dos arranjos, e principalmente na grandiosidade das vozes dessas mulheres, que emanam alegria por onde ecoam, evocando a ancestralidade, a espiritualidade, os encantos e a magia desse lugar. Lugar que tem uma Pedra Guardiã, uma enseada onde a Lua Cheia clareia a vastidão, e onde, quem merece, pode ver a Sereia cantar no clarão.
A essência do Samba de Mar Aberto está na memória guardada em cada grão das areias do Abaeté, no sopro do vento nas palhas dos coqueiros de Piatã, no jogo, no gingado, nos batuques do seu povo — com seus ritos herdados de tradições afro-indígena-ibéricas, traduzidas e reveladas aqui e agora para o mundo inteiro cantar.
Amadeu Alves — direção musical e arranjos
Um conceito, uma atitude
Mar aberto é o que inclui
“Samba de Mar Aberto é um conceito muito mais amplo: é filosófico, é atitude. É a música das Ganhadeiras de Itapuã. Nele cabe a ciranda, o maracatu, o samba de roda tradicional, a música religiosa, mantras, reggae, xote, xaxado, baião, samba duro, sambão, pagode, samba de terreiro, afoxé, ijexá, salsa, música clássica, sei lá… É como se o mar fosse um gigantesco caldeirão onde a diversidade se harmoniza.
É filosófico e político, no sentido de visão de mundo: porque o que é aberto inclui, abarca, abrange, integra — em contraposição ao que é fechado, que limita e exclui. Nosso grupo é assim, congrega diversidade cultural, de gênero, etária e musical.”
Edvaldo Borges — reflexões sobre o Samba de Mar Aberto, 2017
Repertório
As dez faixas
Composições inéditas ao lado de clássicos da tradição, gravadas em outubro de 2025 no estúdio A Lagoa Grande, em Salvador.
- 01Samba de Mar AbertoEdvaldo Borges, Amadeu Alves e Fabrício Rios
Letra
O meu samba é de mar aberto êh É ciranda, é grão de areia ah É fruta que dá no tempo certo êh É a viola que ponteia O Afoxé vem do meu avô, bisavô Quem quiser me acompanhar, vem pra cá No compasso do agogô, eu já vou Vou vendendo e cantando pra ganhar É a saia que roda pra sambar No samba de roda pra rodar Na roda da vida a girar Na beira do mar É pedra que ronca... No vento que balança... É samba de terreiro, Toque de pandeiro Pra gente sambar - 02Festa de ItapuãSeu Regi de Itapuã e Pedro Abib
Part. Amélia da CuícaLetra
Sonhei, sonhei Era de manhã Cheguei pra Festa de Itapuã Então, eu vi ganhadeira Arlindo Boi tava lá Com Seu Vivi lá na feira Marcaram de se encontrar E Francisquinha ajudando Dona Niçu preparar Café pra turma do Bando de Anunciar Sonhei, sonhei Era de manhã Cheguei pra Festa de Itapuã Entrei no samba de roda Batuque bom pra danar Dona Cabocla sambando É coisa de admirar E as baianas trouxeram Água de cheiro e colar Anunciando que a festa vai começar Sonhei, sonhei Era de manhã Cheguei pra Festa de Itapuã Ouvi o som do atabaque E muita gente a cantar E um saveiro encostando Para os presentes levar Tinha canoa e jangada Também para acompanhar Esse cortejo tão lindo à Iemanjá Sonhei, sonhei Era de manhã Cheguei pra Festa de Itapuã - 03Pedra GuardiãVerônica Mucuna e Victor Lobisomem
Part. Eddu Nascimento e CucaLetra
Peço tua benção, oh grande gigante Força que adentra o mar Força que adentra o mar Em águas profundas Desperta o teu cantar Morada de Iemanjá Reinado de Odoyá Minha avó lavadeira Meu avô pescador Minha mãe negra Iansã Também sou ganhadeira Mucunã minha cor Minha aldeia Itapuã Pedra, pedra que ronca Pedra, pedra de ponta Minha aldeia Itapuã Peço tua benção Oh grande ancestral, Revolto de mar Envolto de pescar Velho pescador contando na areia Estórias da mãe sereia Memórias da nossa aldeia Sombra do coqueiral Balanço da maré Dessa aldeia sou guardiã Meu torrão meu quintal Cria do Abaité Dessa aldeia sou guardiã Pedra pedra que ronca Pedra pedra de ponta Minha aldeia Itapuã Pedra pedra que ronca Pedra pedra de ponta Minha aldeia Itapuã Ronca pedra que ronca Ponta pedra de ponta - 04Herança do Som de um LugarXanddy Harmonia e Mestre Bimba
Part. Xanddy HarmoniaLetra
Chegou a hora Do mundo inteiro cantar Nossa verdade É herança do som de um lugar De cachoeira É do samba de roda que eu falo É patrimônio de um povo Feliz que encanta (bis) O samba é Na palma da mão Tem cavaco e viola Assim que tá bom Eu vim pra te convidar Vai ter samba de roda Se Santo Amaro te chamou Vumbora Mas a tristeza cê tem que deixar lá fora Se as Ganhadeiras Te chamou Vumbora Pra ver Caê Lembrar Canô Eu já tô aqui Se você não vai Eu vou (bis) O samba é Na palma da mão Tem cavaco e viola Assim que tá bom - 05Andar com FéGilberto Gil
Letra
Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá Que a fé tá na mulher A fé tá na cobra coral Oh, num pedaço de pão A fé tá na maré Na lâmina de um punhal Oh, na luz, na escuridão Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (olêlê) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (olalá) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (ô, menina) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (olalá) A fé tá na manhã A fé tá no anoitecer Oh, no calor do verão A fé tá viva e sã A fé também tá pra morrer Oh, triste na solidão Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (ô, menina) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (olalá) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá Certo ou errado até A fé vai onde quer que eu vá Oh, a pé ou de avião Mesmo a quem não tem fé A fé costuma acompanhar Oh, pelo sim, pelo não Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (olêlê) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (olalá) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (olêlê, vamo lá) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (costuma, costuma a fé, não costuma faiá) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (costuma, costuma a fé, não costuma faiá) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá (oh, yeah, olalá) Andar com fé eu vou Que a fé não costuma faiá - 06De AbaetéCardan Dantas e Jenner Salgado
Part. Júlio Caldas e coro infantilLetra
Angelim na beira d'água Angelim sou eu Angelim na beira d'água Angelim Cresceu Angelim na beira d'água floresceu Angelim na beira d'água pezinho de Deus A lua cheia na enchente da maré A lua cheia na enchente da maré Areia branca água escura lua clara Água doce os olhos d'água do Abaeté 2x Hum! Fica na beira homem Fica na beira mulher Fica na beira menino Na lagoa de Abaeté 2X - 07De Seda ou de ChitaJenner Salgado e Edvaldo Borges
Part. Júlio Caldas, Ronnis e Amélia da CuícaLetra
Ai, ai, ai, ai… Eu separei Uma peça De roupa Para cantar O meu Abaeté Chamei Jaci, Xindó E Maroca Pra recordar O tempo de lavadeira Nós já lavamos E botamos pra quará, Vamos enxaguar Secar Pra depois Vestir A nossa história Nossa saia colorida De seda Ou de chita Vem sambar Vem sambar Com o bando das Ganhadeiras Vem sambar Vem sambar A tarde inteira Vem sambar Com o bando das Ganhadeiras Vem sambar Vem sambar A noite inteira Ai, ai, ai, ai… - 08Jongo de Mar AbertoAmadeu Alves
Part. Mimmo Ferreira e Lívia MattosLetra
Meu jongo é um mar de afetos No pulso desse tambor Meu samba é um livro aberto Corpo fechado para o desamor Meu jongo é um mar de afetos No pulso desse tambor Meu samba é um livro aberto Corpo fechado para o desamor Meu rito vem da floresta Meu grito é a voz desse povo O toré é a minha festa Meu jongo é eterno e novo Meu rito vem da floresta Meu grito é a voz desse povo O toré é a minha festa Meu jongo é eterno e novo Joga o jongo ginga gente No balanço desse mar Joga o jongo ginga gente Nesse jogo de jongar Joga o jongo ginga gente Gente que vai navegar Nave nova do oriente No mar aberto vem jongar No trono vem cantar a sereia Seu canto se encanta no ar No alto a formosa é cheia E o pranto se cura no mar No trono vem cantar a sereia Seu canto se encanta no ar No alto a formosa é cheia E o pranto se cura no mar E o mar é a graça do rei O rei é por todos, amado E ele proclama a lei De paz e amor no reinado E o mar é a graça do rei O rei é por todos, amado E ele proclama a lei De paz e amor no reinado Joga o jongo ginga gente No balanço desse mar Joga o jongo ginga gente Nesse jogo de jongar Joga o jongo ginga gente Vem do congo pelo mar No batuque abre a roda Pro povo do semba sambar Joga o jongo ginga gente No balanço desse mar Joga o jongo ginga gente Nesse jogo de jongar Joga o jongo ginga gente Gente que vai navegar Nave nova do oriente No mar aberto vem jongar - 09Mercação da CatirinaMarcos de Oliveira e Nailton Maia
Part. Marcos de Oliveira e Thauan FulazzLetra
Você já comprou lelê O amendoim de Maria Raquel vem com o tabuleiro, vendendo sua cocadinha Se eu pudesse eu comprava o coco da Catirina Se eu pudesse eu comprava o coco da Catirina Lucinha foi pra cidade Andando até os aflitos Passou no quartel mercando, Quem vai querer peixe frito? Se eu pudesse eu comprava o coco da Catirina Se eu pudesse eu comprava o coco da Catirina O bando das ganhadeiras Traz a renda da família Lavando a semana inteira Ensina lição pra filha Se eu pudesse eu comprava o coco da Catirina Se eu pudesse eu comprava o coco da Catirina - 10Tome Conta de EuAnamaria das Virgens
Letra
Tome conta de eu mamãe De eu tome conta Tome conta de eu mamãe De eu tome conta Tome conta de eu mamãe De eu tome conta Tome conta de eu mamãe De eu tome conta Sou filha das Marias E neta de Santana Valei-me Nossa Senhora Ó Virgem da Conceição Tome conta de eu mamãe De eu tome conta Tome conta de eu mamãe De eu tome conta Fé e paciência, Deus me fez assim Valei-me meu Deus Meu Senhor do Bonfim Tome conta de eu mamãe De eu tome conta Tome conta de eu mamãe Tome conta de mim
Texto de apresentação
Memória, território e invenção nas Ganhadeiras de Itapuã
por Danillo Barata
Há músicas que descrevem um território e há músicas por meio das quais um território toma a palavra. Em Samba de mar aberto, das Ganhadeiras de Itapuã, Itapuã não comparece como cenário, referência pitoresca ou simples indicação de procedência. O bairro, a Lagoa do Abaeté, a pedra que avança sobre o mar, as dunas, os coqueirais, as festas, os terreiros, os pregões e as lembranças das antigas lavadeiras constituem uma ecologia de signos, timbres, gestos e temporalidades. O álbum nasce dessa trama e a reorganiza musicalmente. Mais do que reunir canções, apresenta uma forma de conhecimento: uma maneira de escutar o lugar, de atualizar sua memória e de inscrever no presente as experiências de mulheres e comunidades que fizeram do canto uma tecnologia de trabalho, transmissão e permanência.
A expressão “samba de mar aberto”, formulada no interior do próprio grupo, nomeia uma poética e, simultaneamente, um método. O mar aberto não designa ausência de margens nem dissolução das formas. É uma imagem de circulação: águas que recebem diferentes correntes sem perder a orientação; uma tradição capaz de mover-se, misturar-se e transformar-se sem romper com os vínculos que lhe dão espessura histórica. O samba de roda permanece como eixo estruturante, mas se deixa atravessar por cirandas, jongos, toques de terreiro, pulsações de blocos afro, inflexões de maracatu e frevo, além de outras matrizes afro-indígenas e ibéricas reelaboradas pela experiência baiana. A abertura, nesse sentido, não é o contrário da tradição. É uma das condições de sua continuidade.
Essa compreensão desloca o álbum de uma leitura folclorizante. As Ganhadeiras não aparecem como depositárias imóveis de um passado a ser preservado em estado puro. O que se escuta e se reconhece em sua trajetória é um trabalho ativo de seleção, tradução e recriação. A memória deixa de ser arquivo passivo e passa a operar como montagem: reúne vozes, ritmos, narrativas, práticas laborais, devoções e imagens do território para fazê-los circular em novas condições de escuta. Tal procedimento aproxima o disco de uma perspectiva etnomusicológica que compreende a música não como objeto isolado, mas como prática social, inseparável dos corpos que a produzem, dos espaços em que acontece, das relações comunitárias que sustenta e dos sistemas de valor que mobiliza.
Nessa perspectiva, cantar é também produzir território. O território não se reduz a uma superfície geográfica; constitui-se como campo de afetos, usos, conflitos, ancestralidades e pertencimentos. Em Itapuã, a “pedra de ponta”, que teria dado nome ao bairro, atua como marco físico e signo de orientação. Em “Pedra Guardiã”, ela adquire densidade simbólica: torna-se presença que observa, protege e mede a passagem do tempo, em permanente relação com o movimento do mar. A sereia, a lua cheia, a enseada e a vastidão marinha participam de uma semiosfera na qual natureza, história e imaginação não estão separadas. São camadas de um mesmo mundo vivido, transmitido por narrativas orais, práticas religiosas, festas públicas e experiências cotidianas.
A Lagoa do Abaeté ocupa posição igualmente decisiva. Suas águas escuras, cercadas pelas areias claras das dunas, constituem uma das imagens mais persistentes da paisagem cultural de Itapuã. Para as Ganhadeiras, entretanto, o Abaeté é sobretudo território de trabalho, sociabilidade, lembrança e sacralidade. À sua margem, lavadeiras realizavam a lavagem de ganho; dali se expandiam redes de sustento familiar e circulação pela cidade. O gesto de lavar, torcer, estender, carregar e vender não pertence apenas à economia material. Ele produziu cadências, cantos, modos de narrar e formas de solidariedade. Ao evocar esse universo, o álbum não transforma a precariedade do trabalho em ornamento nostálgico. Reconhece a agência histórica de mulheres negras que, sob condições adversas, fizeram do ganho um campo possível de autonomia e da voz um instrumento de presença pública.
É dessa genealogia que o nome Ganhadeiras de Itapuã retira sua força. Criado em 2004, a partir de encontros nos terreiros de Mariinha e Dona Cabocla, o coletivo converteu memórias familiares e comunitárias em uma prática artística compartilhada. O grupo não apenas representa as antigas ganhadeiras: reinscreve suas experiências em outro regime de visibilidade, sem separar o palco da comunidade que lhe dá fundamento. A passagem dos quintais, terreiros e rodas locais aos grandes palcos, aos registros fonográficos e audiovisuais e ao reconhecimento nacional não configura uma narrativa linear de superação da tradição pela indústria cultural. Trata-se, antes, de uma ampliação de circuitos. A memória comunitária alcança outras escalas, enquanto conserva a marca de sua enunciação coletiva.
Samba de mar aberto emerge, assim, como obra de maturidade. O álbum condensa mais de duas décadas de pesquisa vivida, criação musical e elaboração identitária. A voz coletiva das Ganhadeiras não apaga as singularidades que a compõem; ao contrário, organiza diferenças geracionais, vocais e experienciais em uma textura comum. Nesse tecido, a liderança de Verônica Raquel Mucúna e a formulação musical de Amadeu Alves operam como forças de continuidade e invenção. A produção musical de Alê Siqueira participa desse processo não como instância externa que domestica ou padroniza a materialidade do grupo, mas como escuta mediadora: um trabalho de construção sonora capaz de conferir inteligibilidade às múltiplas camadas do repertório, preservar sua corporalidade e projetá-las no espaço fonográfico contemporâneo.
Alê Siqueira reúne formação musical e domínio técnico em uma trajetória marcada pela produção de nomes centrais da música popular brasileira. Sua atuação em projetos reconhecidos nacional e internacionalmente, premiados em instâncias como o Grammy Latino e a Billboard Latin Music, situa sua presença no álbum como encontro entre experiência fonográfica, rigor de estúdio e disponibilidade para a escuta de uma poética profundamente territorial. Sua produção participa de um processo de mediação em que o repertório das Ganhadeiras pode ampliar sua presença sem perder a densidade do contexto de que emerge.
A produção, nesse contexto, pode ser compreendida como gesto curatorial. Produzir é escolher distâncias, aproximar timbres, organizar planos de escuta, administrar presenças e silêncios. É criar condições para que o repertório revele sua arquitetura interna sem perder a impressão de roda, encontro e movimento. Entre a experiência comunitária e o dispositivo técnico do estúdio, estabelece-se uma zona de tradução. O desafio não consiste em fabricar uma autenticidade artificial, mas em reconhecer que toda gravação transforma aquilo que registra. A força do álbum reside justamente em tornar essa transformação produtiva: o estúdio não substitui o território; converte-se em outra margem a partir da qual o território pode ser ouvido.
Essa mediação também produz uma temporalidade específica. A gravação fixa vozes e gestos, mas não os paralisa. Ao contrário, torna-os disponíveis para novas situações de escuta, circulação e reconhecimento. A experiência musical, antes inscrita prioritariamente na presença compartilhada dos corpos, passa a ocupar também o espaço técnico e reprodutível do fonograma. Contudo, essa passagem não deve ser entendida como perda da experiência comunitária. O álbum conserva vestígios da roda, da alternância entre solo e coro, da convocação coletiva e da resposta partilhada. O que se registra não é apenas um conjunto de composições, mas uma forma de relação.
As dez faixas formam, nesse sentido, uma cartografia afetiva e conceitual. “Festa de Itapuã” apresenta o bairro como corpo coletivo, no qual a festa funciona como prática de pertencimento e atualização da memória. A festa não se limita a interromper o cotidiano; ela o reorganiza temporariamente, redistribui os lugares, produz encontros e reafirma vínculos. Nela, música, comida, circulação urbana, religiosidade e convivência constituem uma mesma trama sensível. Itapuã aparece, assim, não como unidade territorial abstrata, mas como comunidade que se reconhece e se recria por meio de seus acontecimentos.
“Herança do som de um lugar” explicita a transmissão geracional que sustenta o grupo. O som é recebido, mas também recriado por cada corpo que o carrega. A herança não corresponde à repetição idêntica de um repertório; ela se manifesta como capacidade de reativar formas, gestos e narrativas em contextos distintos. Cada geração recebe um conjunto de marcas e, ao reproduzi-las, introduz variações, deslocamentos e novas inflexões. A tradição sonora torna-se, assim, um processo de negociação entre permanência e mudança, proximidade e diferença, memória e invenção.
“De Abaeté” reconduz a escuta à lagoa como arquivo vivo. O Abaeté não é apenas paisagem contemplada, mas lugar de acontecimentos, práticas, encontros e narrativas. Suas águas e areias condensam uma memória que não se apresenta de maneira linear ou documental. Trata-se de uma memória distribuída entre corpos, objetos, cantos, nomes e experiências. Ao entrar no álbum, a lagoa não é representada como imagem estática; torna-se presença acústica, signo em movimento e operador de pertencimento.
“De seda ou de chita” mobiliza a materialidade dos tecidos para aproximar vestimenta, distinção social, festa e autorrepresentação. A chita, historicamente associada às saias das ganhadeiras, deixa de ser simples adereço para tornar-se superfície de inscrição: cor, movimento e memória transformados em linguagem. O contraste entre seda e chita pode ser lido como tensão entre diferentes regimes de valor, entre os tecidos socialmente considerados nobres e aqueles vinculados aos usos populares. No corpo das ganhadeiras, porém, a chita não comparece como sinal de carência ou subalternidade. Ela adquire potência visual, performática e identitária. A roupa participa da construção da presença, amplifica o gesto e converte o movimento em imagem.
Em “Jongo de mar aberto”, a matriz bantu do jongo entra no campo expansivo proposto pelo álbum, confirmando que o “mar aberto” não é gênero fechado, mas princípio relacional. A incorporação do jongo não ocorre como citação ornamental ou reunião arbitrária de referências. Ela explicita conexões históricas e cosmológicas entre práticas musicais negras que, embora desenvolvidas em contextos distintos, compartilham modos de organização corporal, rítmica e comunitária. O jongo entra no disco como corrente que encontra outras correntes, produzindo um campo de ressonâncias em que diferenças não são anuladas, mas colocadas em relação.
“Mercação da Catirina” articula o pregão das vendedoras ambulantes ao universo dos folguedos populares, cruzando trabalho, teatralidade e circulação da voz no espaço público. O pregão constitui uma forma sonora de ocupação da cidade: anuncia mercadorias, identifica presenças e transforma o trabalho em acontecimento acústico. A voz da vendedora não apenas informa; ela cria ritmo, convoca, seduz e estabelece uma relação com quem atravessa a rua. Ao aproximar a mercação da figura de Catirina, a faixa desloca o cotidiano para o campo da cena e revela a dimensão performática já existente nas práticas laborais.
“Andar com fé” e “Tome conta de eu” introduzem o campo da confiança, do cuidado e da entrega, no qual religiosidade e experiência cotidiana se aproximam sem necessidade de explicação doutrinária. A fé aparece como prática incorporada, modo de atravessar o risco e produzir continuidade. Não se trata apenas de afirmação confessional, mas de uma ética da persistência, uma disposição para seguir adiante sustentada por forças materiais e imateriais. O cuidado solicitado em “Tome conta de eu” inscreve uma vulnerabilidade que não se confunde com passividade. Pedir proteção é reconhecer a interdependência, afirmar que a existência se sustenta em redes de amparo, presença e reciprocidade.
Cada faixa, portanto, funciona como ponto de uma rede; nenhuma se encerra em si mesma, porque todas remetem a relações mais amplas entre música, território, corpo, trabalho e ancestralidade. O álbum opera como um sistema de correspondências. A pedra encontra o mar; a lagoa encontra o trabalho; o tecido encontra o corpo; o pregão encontra a cena; a fé encontra o cuidado; a herança encontra a invenção. Essas articulações não constituem um programa exterior aplicado às canções, mas emergem das próprias imagens, práticas e materialidades convocadas pelo repertório.
Do ponto de vista antropológico, o álbum evidencia que patrimônio cultural não é uma coleção de formas congeladas, mas um conjunto de relações em permanente negociação. O que se herda não é apenas um repertório; herdam-se maneiras de reunir, cantar, responder, dançar, lembrar e conferir valor às experiências. A tradição existe quando é praticada e reconhecida por uma comunidade, mas também quando pode ser interrogada, deslocada e atualizada. As Ganhadeiras ocupam esse intervalo fecundo entre continuidade e mudança. Sua música não se limita a testemunhar uma identidade já pronta: participa ativamente de sua produção.
A identidade, nesse contexto, não é substância fixa nem essência imune às transformações históricas. Ela se constrói por meio de enunciações, práticas e formas de reconhecimento. Ao cantar Itapuã, as Ganhadeiras não apenas relatam o que o bairro foi ou é; participam da produção de uma imagem compartilhada do território. Essa imagem, contudo, não se reduz à promoção turística ou à celebração abstrata de uma baianidade homogênea. Ela emerge de experiências específicas: o trabalho das mulheres negras, as redes de parentesco e vizinhança, os terreiros, a lagoa, as festas, as formas comunitárias de ensinar e aprender.
Há, ainda, uma política da escuta inscrita em Samba de mar aberto. Ao colocar no centro vozes femininas, negras, maduras e comunitárias, o disco reorganiza hierarquias habituais da produção musical e da representação cultural. Essas vozes não aparecem como matéria-prima anônima a ser traduzida por um olhar exterior. Elas definem o lugar de fala, nomeiam sua própria linguagem e estabelecem os parâmetros de sua presença. A autonomeação do “samba de mar aberto” é, por isso, um gesto estético e epistemológico. Nomear a própria prática significa disputar os regimes de classificação que historicamente reduziram expressões negras e populares a categorias genéricas, periféricas ou subordinadas.
Esse ato de nomeação possui uma dimensão semiótica fundamental. Ao criar uma expressão para designar sua prática, o grupo não apenas descreve um fenômeno já existente; produz um novo campo de inteligibilidade. O nome organiza a percepção, estabelece relações e permite que certos elementos antes dispersos sejam reconhecidos como parte de uma mesma poética. “Samba de mar aberto” torna-se, assim, mais do que título de álbum. Converte-se em conceito capaz de articular ritmo, território, ancestralidade, circulação e abertura formal.
A imagem do mar permite compreender a potência dessa operação. O mar é arquivo de travessias, perdas e reencontros; separa e conecta, ameaça e alimenta, apaga rastros e devolve vestígios. No contexto afro-atlântico, carrega uma memória histórica incontornável, mas também sustenta circuitos de invenção cultural. Nas Ganhadeiras de Itapuã, o mar não é alegoria abstrata. É presença cotidiana, horizonte visual, força climática, caminho de pescadores, campo mítico e matéria sonora. Seu movimento oferece ao grupo uma gramática: avançar e retornar, repetir com diferença, reconhecer a margem sem permanecer imóvel diante dela.
Essa gramática marítima aproxima a repetição musical do movimento das ondas. Nenhuma onda retorna de maneira absolutamente idêntica, embora todas participem de um mesmo regime de movimento. Do mesmo modo, o refrão, a roda, o coro e a resposta reiteram estruturas conhecidas, mas cada execução incorpora variações produzidas pelos corpos, pelo contexto e pelo encontro. A repetição não é ausência de invenção; é o suporte por meio do qual a diferença pode tornar-se perceptível. O samba de mar aberto encontra, nessa dinâmica, uma de suas imagens mais precisas.
A pedra, por sua vez, oferece um contraponto ao fluxo. Se o mar sugere circulação, mudança e travessia, a Pedra Guardiã concentra ideias de fundamento, permanência e orientação. O álbum se estrutura entre essas duas forças: o que permanece e o que se move, o que dá sustentação e o que abre caminhos. Não se trata de oposição absoluta. A pedra só se torna marco porque existe em relação ao mar; o mar só pode ser percebido como movimento em relação às margens e aos pontos de referência. A tradição das Ganhadeiras se constitui da mesma maneira: possui fundamentos reconhecíveis, mas sua vitalidade depende da capacidade de relacioná-los a novas experiências.
Por isso, Samba de mar aberto não deve ser compreendido como ponto de chegada. O álbum formaliza um vocabulário desenvolvido ao longo da trajetória do coletivo e, ao mesmo tempo, inaugura novas possibilidades de circulação. A obra confirma que a maturidade artística não exige abandono da base comunitária; exige consciência cada vez mais aguda dos próprios procedimentos, alianças e escolhas. Entre a Pedra Guardiã e as correntes móveis do Atlântico, as Ganhadeiras constroem uma música que sabe de onde vem, mas não aceita que sua origem seja convertida em limite.
O disco também evidencia que a circulação não implica necessariamente desenraizamento. Ao alcançar novos públicos, plataformas e espaços, a música transporta consigo marcas de seu território de formação. Essas marcas não permanecem intactas, pois entram em contato com outros regimes de escuta e interpretação. Entretanto, é justamente nessa capacidade de produzir traduções sem dissolver completamente sua diferença que reside uma das forças do trabalho das Ganhadeiras. O local não se opõe ao universal; é a partir da singularidade do lugar que a música encontra condições de comunicar experiências mais amplas de memória, resistência, trabalho e pertencimento.
Este é um disco de memória, mas sua temporalidade é o futuro. Ao transformar trabalho em ritmo, paisagem em signo, ancestralidade em presença e experiência coletiva em forma musical, as Ganhadeiras de Itapuã afirmam que preservar não é repetir intactamente. Preservar é manter abertas as condições de transmissão. É permitir que uma prática continue produzindo sentido, convoque novos corpos, atravesse outros espaços e estabeleça novas relações sem perder a consciência das histórias que a constituíram.
O samba de mar aberto é, afinal, uma poética da permanência em movimento. Tem margem, fundamento e direção, mas continua disponível às correntes, aos encontros e às vozes que ainda virão. Em seu percurso, as Ganhadeiras de Itapuã fazem da música não apenas uma forma de representar o mundo, mas uma maneira de habitá-lo, recordá-lo e transformá-lo. Entre a lagoa e o oceano, entre o trabalho e a festa, entre a herança e a invenção, suas vozes seguem abrindo passagem.
Idealizador e curador do Festival Paisagem Sonora.
Quem canta
Formado por senhoras, crianças e músicos locais, o grupo nasceu da vontade coletiva de resgatar, valorizar e fortalecer a riqueza da identidade cultural do bairro de Itapuã, com base na lembrança das tradições e festejos que marcaram a história desta antiga vila de pescadores.





Fotografia: Ricardo Martins.
Créditos
Ficha técnica
Todos os créditos de vozes, coro, instrumentos e participações, faixa a faixa.
01 Samba de Mar Aberto
Edvaldo Borges, Amadeu Alves e Fabrício Rios
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Falas na introdução
- Lucinha e Juliana Alves
- Violão
- Amadeu Alves
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Flauta
- Tito Fukunaga
- Atabaque, berimbau, cascara, hun, surdo, xequerê
- Neto Moska
- Berimbau, cascara, conga, chapa, dumdum, gongo
- Cuca (participação especial)
- Agogô, pandeiro, hun, ganzá
- Pablo Maia
- Atabaque, cascara, pandeiro, surdo, tamborim, tarol
- Emerson Ôry
- Agogô, cascara, pandeiro, timbau
- Vitor Oliveira
- Palmas
- Todos
02 Festa de Itapuã
Seu Regi de Itapuã e Pedro Abib
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha, Maria Jaci, Denise Galo e Verônica Mucuna
- Violão
- Amadeu Alves
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Flauta
- Tito Fukunaga
- Agogô, cascara, efeitos, hun, pratos, timbau
- Neto Moska
- Cascara, congas, surdo
- Pablo Maia
- Cascara, tamborim, triângulo
- Emerson Ôry
- Cascara, ganzá, pandeiro
- Vitor Oliveira
- Apito, cuíca
- Amélia da Cuíca (participação especial)
- Palmas
- Todos
03 Pedra Guardiã
Verônica Mucuna e Victor Lobisomem
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha, Maria Jaci, Denise Galo e Verônica Mucuna
- Violão
- Amadeu Alves
- Violão
- Eddu Nascimento (participação especial)
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Flauta
- Tito Fukunaga
- Hun, pratos, tama
- Neto Moska
- Agogô
- Pablo Maia
- Atabaque
- Emerson Ôry e Vitor Oliveira
- Moringa, efeitos, gongo, ocean drum
- Cuca (participação especial)
04 Herança do Som de um Lugar
Xanddy Harmonia e Mestre Bimba
- Voz
- Xanddy Harmonia (participação especial)
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha, Maria Jaci, Denise Galo e Verônica Mucuna
- Violão
- Amadeu Alves
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Flauta
- Tito Fukunaga
- Cascara, hun, lé, timbau
- Neto Moska
- Pratos e surdo
- Pablo Maia
- Cascara, hunpi, tamborim, triângulo
- Emerson Ôry
- Pandeiro e efeitos
- Vitor Oliveira
05 Andar com Fé
Gilberto Gil
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha, Maria Jaci, Denise Galo e Verônica Mucuna
- Violão
- Amadeu Alves
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Flauta
- Tito Fukunaga
- Hun, efeitos, tama, timbau
- Neto Moska
- Surdo
- Pablo Maia
- Agogô, surdo, pratos
- Emerson Ôry
- Xequerê
- Vitor Oliveira
06 De Abaeté
Cardan Dantas e Jenner Salgado
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha, Maria Jaci, Denise Galo e Verônica Mucuna
- Coro infantil
- Ana Beatriz Conceição dos Santos, Ana Laura Santos, Dandara Silva Vasconcelos, Isadora Jesus Viana, Lorena Lima Conceição, Lucca Lima Conceição, Maria Luísa Anjos dos Santos, Thaunny Lavigne de Santana e Hellen Hadassah
- Violão
- Amadeu Alves
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Flauta
- Tito Fukunaga
- Viola machete
- Júlio Caldas (participação especial)
- Berimbau, congas, efeitos, pandeiro, pratos
- Neto Moska
- Hun e timbau
- Pablo Maia
- Pandeiro e tarol
- Emerson Ôry
- Surdo
- Vitor Oliveira
- Agogô e tamborim
- Edy Cultura
- Palmas
- Todos
07 De Seda ou de Chita
Jenner Salgado e Edvaldo Borges
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha, Maria Jaci, Denise Galo e Verônica Mucuna
- Vozes, citação final
- Evelin Dias, Juliana Alves e Verônica Mucuna
- Violão
- Amadeu Alves
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Flauta
- Tito Fukunaga
- Pandeiros e xequerê
- Pablo Maia
- Surdos e pratos
- Emerson Ôry
- Congas
- Neto Moska
- Efeitos, ganzá, timbau e triângulo
- Vitor Oliveira
- Viola machete
- Júlio Caldas (participação especial)
- Guiro, tamborim e timbau
- Ronnis (participação especial)
- Cuíca
- Amélia da Cuíca (participação especial)
- Prato
- Juliana Alves
- Palmas
- Amadeu Alves, Neto Moska, Pablo Maia, Emerson Ôry, Vitor Oliveira, Ronnis e Tito Fukunaga
08 Jongo de Mar Aberto
Amadeu Alves
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha, Maria Jaci, Denise Galo e Verônica Mucuna
- Violão
- Amadeu Alves
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Pifes
- Tito Fukunaga
- Efeitos e surdos
- Neto Moska
- Caxixão, chimbau e pratos
- Emerson Ôry
- Pandeiro
- Vitor Oliveira
- Candongueiro, caxambu e tambu
- Mimmo Ferreira (participação especial)
- Sanfonas
- Lívia Mattos (participação especial)
- Palmas
- Todos
09 Mercação da Catirina
Marcos de Oliveira e Nailton Maia
- Vozes
- Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha e Maria Jaci
- Coro
- Driele, Vitória, Joanice, Teresa, Lica, Geiza, Du Carmo, Herondina, Ana Clara, Juliana Alves, Jaciara dos Santos, Lucinha, Rachel das Virgens, Evelin Dias, Gabriele, Mariinha, Maria de Xindó, Pretinha, Maria Jaci, Denise Galo e Verônica Mucuna
- Violão
- Amadeu Alves
- Baixo
- Joaquim Izaias
- Pifes
- Tito Fukunaga
- Bandolim
- Fabrício Rios
- Banjo e cavaquinho
- Marcos de Oliveira (participação especial)
- Congas, hun e pratos
- Neto Moska
- Tamborim e timbau
- Pablo Maia
- Pandeiro e tarol
- Emerson Ôry
- Agogô, surdo e triângulo
- Vitor Oliveira
- Trombone
- Thauan Fulazz (participação especial)
- Prato de samba
- Juliana Alves
- Palmas
- Todos
10 Tome Conta de Eu
Anamaria das Virgens
- Voz
- Anamaria das Virgens
- Efeitos sonoros
- Alê Siqueira
Gravação
- Gravado em Salvador, Bahia, no estúdio A Lagoa Grande Studios, em outubro de 2025
- Pré-produção: Estúdio Casa Verde Itapuã
- Engenheiro de gravação: Paulinho Rocha
- Técnicos de som: Nando Nicomedes e Davi Penna
- Edição, mixagem e masterização: Alê Siqueira
Produção e direção
- Produção musical: Alê Siqueira
- Direção musical e arranjos: Amadeu Alves
- Direção artística: Jenner Salgado, Amadeu Alves e Alê Siqueira
- Produção geral: Edvaldo Borges (EB Consultoria)
- Produção executiva: Salviano Filho, Jenner Salgado e Edvaldo Borges
- Assistentes de produção: Edy Cultura e Clara Pirajá
Música e arranjos
- Coordenação de percussão: Neto Moska
- Contribuições em arranjos coletivos: Neto Moska, Pablo Maia, Vitor Oliveira, Fabrício Rios, Emerson Ôry, Joaquim Izaias e Tito Fukunaga
- Preparação vocal: Dandê Azevedo
- Músicos convidados: Amélia da Cuíca, Cuca, Eddu Nascimento, Júlio Caldas, Lívia Mattos, Marcos de Oliveira (bandolim), Mimmo Ferreira, Ronnis e Thauan Fulazz
- Participações especiais: Xanddy Harmonia, Amélia da Cuíca, Cuca, Eddu Nascimento, Júlio Caldas, Lívia Mattos, Marcos de Oliveira, Mimmo Ferreira, Ronnis e Thauan Fulazz
Artes visuais e comunicação
- Projeto gráfico do álbum e hotsite: Solisluna Design e Editora
- Arte da capa: Edsoleda Santos
- Fotografia: Ricardo Martins
- Projeto: Edvaldo Borges (EB Consultoria)
- Assessoria de imprensa: Isa Lorena (Tráfego de Ideias)
- Redes sociais: Aline Fernandes (Shine Comunicação Visual Criativa)
- Texto de apresentação: Danillo Barata
Agradecimentos
Agradecemos a Deus nosso pai maior, a Nossa Senhora mãe de Jesus, aos Pretos Velhos, às Pretas Velhas, à nossa mãe Iemanjá, nossa mãe Oxum, ao Caboclo Rei das Matas e a todos os seres de luz que iluminam os nossos caminhos. Agradecemos também a Adailton Nolasco da Costa, Alê Siqueira, Aline Fernandes, Amélia da Cuíca, Cuca, Dandê Azevedo, Davi Penna, Eddu Nascimento, Edsoleda Santos, Jorge Martins, Júlio Caldas, Lívia Mattos, Marcos Bandolim, Mimmo Ferreira, Nailton Maia, Nando Nicomedes, Paulinho Rocha, Ricardo Martins, Ronnis, Rosileson (Point do Bolo), Solisluna Design e Editora, Thauan Fulazz e Xanddy Harmonia.
Apoio financeiro e realização
Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura — Governo Federal.
- Produção geral EB Consultoria
- Projeto gráfico Solisluna Design e Editora
- Assessoria de imprensa Tráfego de Ideias
